Archive for agosto, 2010

Clipping da Ologia / O Estudo das Coisas


(Matéria de Carolina Cotta / Caderno de Negócios, Jornal Estado de Minas)

Para eles, design é uma habilidade de desenvolver projetos tecnicamente possíveis, economicamente viáveis, mercadologicamente interessantes e emocionalmente envolventes. Um bom design também não seria apenas gerar várias e boas idéias, e sim ter visões robustas baseadas em conhecimento multidisciplinar e colaborativo. É mais que design, portanto, é design thinking, termo criado há cerca de seis anos na Escola de Palo Alto, na Califórnia, Estados Unidos (E.U.A), para um conceito já conhecido como design integrado ou qualquer outro nome dado ao processo de pensamento multidisciplinar para resolver problemas complexos.

Com essa proposta, a recém-lançada Ologia veio ajudar organizações a criar ou reinventar negócios, produtos, serviços ou marcas, somando o pensamento estratégico ao poder de transformação do design. A empresa de Ana Barroso e Leonardo Dornelas surgiu do encontro dos dois na 5Clicks – Ideias e Interatividade, na qual eram responsáveis pelo desenvolvimento e planejamento de novos projetos. Foi na construção dessas propostas que começaram a usar os princípios do design thinking como disciplina para transformar projetos web em projetos estratégicos de negócio.

Bacharel em artes plásticas, com habilitação em comunicação visual pela Herron School of Arts and Design, da Universidade de Indiana, E.U.A, Ana vem aplicando o design como metodologia, ferramenta de gestão estratégica de marcas e catalisadora de mudanças no âmbito corporativo e social. Leonardo é administrador de empresas pela Universidade Federal de Viçosa e especialista em marketing pela Fundação Dom Cabral. Na Ologia, sufixo que significa o estudo das coisas, eles oferecem soluções sustentáveis para problemas diversos. Para explicar o que é design thinking, eles usam o exemplo de uma empresa de brindes que solicita um produtos para atletas se hidratarem durante corridas. “Poderíamos criar uma garrafinha, como ocorre no contexto tradicional do design. Mas isso é tratar de um sintoma. O design thinking vai na causa e tenta lidar com o sintoma de forma mais sustentável,” explica Ana. Segundo Leonardo, o início do processo é quebrar o problema em partes, identificando os parâmetros que devem ser seguidos. “Posso desenvolver uma nova garrafinha para o setor de brindes ou posso matar a sede desse indivíduo de outra forma. Posso chegar em um produto que o mercado ainda não conhece. O foco muda”, defende Leonardo.

Em campo, uma equipe multidisciplinar faz como os enógrafos, observando para, a partir do conhecimento técnico de suas respectivas áreas de atução, entender o problemae propor as soluções. “Ao contrário do marketing tradicional, em que a observação vem depois, para validar o produto, no design thinking, ela vai ao mundo real, busca o indivíduo como fonte de inspiração. Vamos em busca dos fatos e não de percepções,” explica Ana.

Depois da imersão da equipe de trabalho na realidade do assunto, observando a cadeia produtiva e a realação das pessoas com essa cadeia, os fatos são comungados entre a equipe e começa o processo de geração de ideias. As melhores opções são convergidas e dão uma solução única para o problema. Mesmo que ainda seja muito incipiente no Brasil, com a Ologia, as empresas mineiras ganham a chance de seguir o exemplo de marcas como Natura, Postivo, Havaianas, Proctor & Gamble e tantas outras que já colhem os frutos de soluções do design thinking.

Design Sem Fronteiras

Uma das coisas que mais nos chama atenção e nos encanta em nosso trabalho é a imensa possibilidade de aplicação do Design no mundo como forma de transformação de realidades sociais, do dia-a-dia das pessoas, e da qualidade desse dia-a-dia.

Estamos desenvolvendo um trabalho muito interessante com uma empresa que desenvolveu uma tecnologia única de detecção e rastreamento do vetor da Dengue. O que impacta isso na nossa vida? Essa tecnologia permite que as prefeituras e estados saibam com precisão onde estão os principais focos de dengue em suas localidades, em tempo real, disponível online, para que agentes do sistema de saúde possam atuar. Fomos contratados por essa empresa para ajudar esses agentes de campo das prefeituras a criar novas soluções para as barreiras encontradas em seu dia-a-dia contando somente com os recursos disponibilizados pelo Estado.

Qual o resultado esperado? Que eles tenham mais ferramentas (simples e sustentáveis) para auxiliá-los a diminuir o número de focos de dengue e por conseqüência o índice de contaminação. Ou seja, mais qualidade de vida para a sociedade.

A cada dia vemos mais e mais iniciativas em todo o mundo nesse sentido. Bill Moggridge, co-fundador da IDEO, no documentário “Objectified” fala que por estarmos num mundo contectado a ideia de projetar para outra comunidade em outra parte do mundo está se tornando algo habitual. Antes tínhamos o sentimento de que a África ou Ásia estavam tão longe que daqui não se poderia fazer algo por eles. Hoje, por esse sentimento de estarmos conectados, isso é possível.

Uma das iniciativas que mais tem nos chamado a atenção é o The Kopernik, uma loja online de tecnologias inovadoras projetadas para realidades sociais subdesenvolvidas ou em desenvolvimento, apresentadas por ONGs para serem viabilizadas por pessoas como nós.

Como funciona? Empresas com tecnologia inovadora apresentam seus produtos à The Kopernik. Se cumprir os requisitos de ser benéfico de alguma forma são disponibilizados no site para que ONGs apresentem propostas de utilização, que também são analisadas. Se tudo estiver OK a iniciativa é disponibilizada no site para que pessoas como nós e vocês possam ajudar a viabilizar a produção de tal tecnologia para a iniciativa.

Você pode ajudar para que uma comunidade sem água potável no Sri Lanka tenha acesso a um dispositivo portátil de purificação de água para consumo doméstico, ajudando a diminuir o índice de mortes por doenças gastro-intestinais.

Isso é design sem fronteiras.

Ologia + Design Thinking

A Ologia utiliza o design como metodologia colaborativa de identificação de problemas e desenvolvimento de soluções centradas nas experiências dos indivíduos.

O resultado desse processo se traduz em novos produtos, serviços, ações e formatos de negócios mais claros e relevantes para a sociedade ou segmentos dela.

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