A luz no fim do Túnel-do-Design-Como-Curso-Superior
Aqui na Ologia a gente recebe muitos e-mails e adora receber visitas de estudantes de Design que se interessam por temas além do design gráfico. Um pessoal jovem, bacana, curioso tanto por todo o contexto social em torno do design quanto pela disciplina em si. Eles são a minha luz no fim do túnel e me dão um certo alento por saber que existe uma pequena mas valiosa parcela de graduandos saindo das instituição de ensino com perfis bem mais interessantes.
O Frank Chimero postou no blog dele uma lista de conselhos para estudantes de design. Selecionei aqui alguns, que estão em inglês. (Aqui vai um conselho meu: aprendam outras linguas. Pelo menos uma além da sua nativa. Viaje. Conhecimento é a matéria prima bruta do designer. E um dos poucos casos onde mais é realmente mais. A sua principal ferramenta de trabalho já nasceu com você. Se alguém te falar que ela é feita pela Adobe, duvide. E não converse com essa pessoa mais.)
Design does not equal client work.
Look people in the eyes when you are talking or listening to them. The best teachers are the ones who treat their classrooms like a workplace, and the worst ones are the ones who treat their classroom like a classroom as we’ve come to expect it.
Quiet is always an option, even if everyone is yelling. Libraries are a good place. The books are free there, and it smells great.
If you can’t draw as well as someone, or use the software as well, or if you do not have as much money to buy supplies, or if you do not have access to the tools they have, beat them by being more thoughtful. Thoughtfulness is free and burns on time and empathy.
Develop a point of view. Think about what experiences you have that many others do not. Then, think of what experiences you have that almost everyone else has. Then, mix those two things and try to make someone cry or laugh or feel understood.
Take things away until you cry. Accept most things, and reject most of your initial ideas.
Learn your design history. Know that design changes when technology changes, and its been that way since the 1400s.
Learn to write, and not school-style writing. A text editor is a perfectly viable design tool. Graphic design has just as much to do with words as it does with pictures, and a lot of my favorite designers come to design from the world of words instead of the world of pictures.
Start brave and brash: you can always make things more conservative, but it’s hard to make things more radical.
Stop trying to be cool: it is stifling.
Be wary of minimalism as an aesthetic decision without cause. Simple is almost a dirty word now. Almost. Tools don’t matter very much, all you need is a sharp knife, but everyone has their own mise en place.
Success is generating an emotion. Failure is a million different things.
Clipping da Ologia / O Estudo das Coisas

(Matéria de Carolina Cotta / Caderno de Negócios, Jornal Estado de Minas)
Para eles, design é uma habilidade de desenvolver projetos tecnicamente possíveis, economicamente viáveis, mercadologicamente interessantes e emocionalmente envolventes. Um bom design também não seria apenas gerar várias e boas idéias, e sim ter visões robustas baseadas em conhecimento multidisciplinar e colaborativo. É mais que design, portanto, é design thinking, termo criado há cerca de seis anos na Escola de Palo Alto, na Califórnia, Estados Unidos (E.U.A), para um conceito já conhecido como design integrado ou qualquer outro nome dado ao processo de pensamento multidisciplinar para resolver problemas complexos.
Com essa proposta, a recém-lançada Ologia veio ajudar organizações a criar ou reinventar negócios, produtos, serviços ou marcas, somando o pensamento estratégico ao poder de transformação do design. A empresa de Ana Barroso e Leonardo Dornelas surgiu do encontro dos dois na 5Clicks – Ideias e Interatividade, na qual eram responsáveis pelo desenvolvimento e planejamento de novos projetos. Foi na construção dessas propostas que começaram a usar os princípios do design thinking como disciplina para transformar projetos web em projetos estratégicos de negócio.
Bacharel em artes plásticas, com habilitação em comunicação visual pela Herron School of Arts and Design, da Universidade de Indiana, E.U.A, Ana vem aplicando o design como metodologia, ferramenta de gestão estratégica de marcas e catalisadora de mudanças no âmbito corporativo e social. Leonardo é administrador de empresas pela Universidade Federal de Viçosa e especialista em marketing pela Fundação Dom Cabral. Na Ologia, sufixo que significa o estudo das coisas, eles oferecem soluções sustentáveis para problemas diversos. Para explicar o que é design thinking, eles usam o exemplo de uma empresa de brindes que solicita um produtos para atletas se hidratarem durante corridas. “Poderíamos criar uma garrafinha, como ocorre no contexto tradicional do design. Mas isso é tratar de um sintoma. O design thinking vai na causa e tenta lidar com o sintoma de forma mais sustentável,” explica Ana. Segundo Leonardo, o início do processo é quebrar o problema em partes, identificando os parâmetros que devem ser seguidos. “Posso desenvolver uma nova garrafinha para o setor de brindes ou posso matar a sede desse indivíduo de outra forma. Posso chegar em um produto que o mercado ainda não conhece. O foco muda”, defende Leonardo.
Em campo, uma equipe multidisciplinar faz como os enógrafos, observando para, a partir do conhecimento técnico de suas respectivas áreas de atução, entender o problemae propor as soluções. “Ao contrário do marketing tradicional, em que a observação vem depois, para validar o produto, no design thinking, ela vai ao mundo real, busca o indivíduo como fonte de inspiração. Vamos em busca dos fatos e não de percepções,” explica Ana.
Depois da imersão da equipe de trabalho na realidade do assunto, observando a cadeia produtiva e a realação das pessoas com essa cadeia, os fatos são comungados entre a equipe e começa o processo de geração de ideias. As melhores opções são convergidas e dão uma solução única para o problema. Mesmo que ainda seja muito incipiente no Brasil, com a Ologia, as empresas mineiras ganham a chance de seguir o exemplo de marcas como Natura, Postivo, Havaianas, Proctor & Gamble e tantas outras que já colhem os frutos de soluções do design thinking.
Design Sem Fronteiras
Uma das coisas que mais nos chama atenção e nos encanta em nosso trabalho é a imensa possibilidade de aplicação do Design no mundo como forma de transformação de realidades sociais, do dia-a-dia das pessoas, e da qualidade desse dia-a-dia.
Estamos desenvolvendo um trabalho muito interessante com uma empresa que desenvolveu uma tecnologia única de detecção e rastreamento do vetor da Dengue. O que impacta isso na nossa vida? Essa tecnologia permite que as prefeituras e estados saibam com precisão onde estão os principais focos de dengue em suas localidades, em tempo real, disponível online, para que agentes do sistema de saúde possam atuar. Fomos contratados por essa empresa para ajudar esses agentes de campo das prefeituras a criar novas soluções para as barreiras encontradas em seu dia-a-dia contando somente com os recursos disponibilizados pelo Estado.
Qual o resultado esperado? Que eles tenham mais ferramentas (simples e sustentáveis) para auxiliá-los a diminuir o número de focos de dengue e por conseqüência o índice de contaminação. Ou seja, mais qualidade de vida para a sociedade.
A cada dia vemos mais e mais iniciativas em todo o mundo nesse sentido. Bill Moggridge, co-fundador da IDEO, no documentário “Objectified” fala que por estarmos num mundo contectado a ideia de projetar para outra comunidade em outra parte do mundo está se tornando algo habitual. Antes tínhamos o sentimento de que a África ou Ásia estavam tão longe que daqui não se poderia fazer algo por eles. Hoje, por esse sentimento de estarmos conectados, isso é possível.
Uma das iniciativas que mais tem nos chamado a atenção é o The Kopernik, uma loja online de tecnologias inovadoras projetadas para realidades sociais subdesenvolvidas ou em desenvolvimento, apresentadas por ONGs para serem viabilizadas por pessoas como nós.
Como funciona? Empresas com tecnologia inovadora apresentam seus produtos à The Kopernik. Se cumprir os requisitos de ser benéfico de alguma forma são disponibilizados no site para que ONGs apresentem propostas de utilização, que também são analisadas. Se tudo estiver OK a iniciativa é disponibilizada no site para que pessoas como nós e vocês possam ajudar a viabilizar a produção de tal tecnologia para a iniciativa.
Você pode ajudar para que uma comunidade sem água potável no Sri Lanka tenha acesso a um dispositivo portátil de purificação de água para consumo doméstico, ajudando a diminuir o índice de mortes por doenças gastro-intestinais.
Isso é design sem fronteiras.
4 heresias ambientais

Mumbai

Mumbai
“Você olha para a faixa à direita. E você pode perguntar ‘Okay, o que está acontecendo ali?’. A resposta é ‘Tudo’. Aquilo é melhor do que um shopping. Muito mais denso. Muito mais interativo. E a escala é sensacional. E o principal é que essas não são pessoas esmagadas pela miséria. Essas são pessoas ocupadas em sair da miséria o mais rápido que conseguem. Elas estão se ajudando. Elas estão fazendo através de uma coisa ilegal, a economia informal, que é como se fosse a energia escura em astrofísica. Não é para estar ali, mas é enorme. Ainda não entendemos como ela funciona. Mas precisamos fazê-lo.”
“You look at that lane on the right. And you can ask, “Okay what’s going on there?” The answer is, “Everything.” This is better than a mall. It’s much denser. It’s much more interactive. And the scale is terrific. The main event is, these are not people crushed by poverty. These are people busy getting out of poverty just as fast as they can. They’re helping each other do it. They’re doing it through an outlaw thing, the informal economy. The informal economy, it’s sort of like dark energy in astrophysics. It’s not supposed to be there, but it’s huge. We don’t understand how it works yet. But we have to.”
Um pedacinho do vídeo sensacional de Stewart Brand no TED: Stewart Brand proclaims 4 environmental ‘heresies’
Uma prévia: Tom Kelley em Belo Horizonte
Estamos preparando um post bem especial sobre a visita de Tom Kelley à Belo Horizonte em um evento apoiado pela Ologia. Por enquanto, basta dizer que ontem foi um dia fantástico.
We’re preparing a special post about Tom Kelley’s visit to Belo Horizonte, in an event supported by Ologia. For now, let’s just say yesterday was pretty fantastic.

Ana Barroso e Leonardo Dornelas (Ologia), Tom Kelley

Stuart Graham, Ana Barroso, Tom Kelley, Célia Azevedo (MCA Marketing & Eventos), Leonardo Dornelas

Ana Barroso (Ologia), Gisela Schulzinger (Haus Design / Abedesign), Rachel Horta (Mapa Digital)
Tim Brown: design to participate in

Designers talvez estejam acostumados com a ideia de que eles criam alguma coisa para alguém consumir. Nós temos que nos acostumar com a idéia de que nós vamos passar a ajudar a criar coisas da qual outras pessoas vão participar.
“Designers have perhaps been used to the idea that they design something that somebody else consumes. We have to get used to the idea that we’re going to help to design something that other people will participate in.”
– Tim Brow (his interview with Debbie Millman is here)
Just a start – we promise to be bilingual from now on.
We’re proud to say we have officially gone international. Readers from other countries are visiting our site, reading trying to read our posts and contacting us. We promise we’ll be bilingual from now on. Just to start, I have translated my fist post: M.B.A x M.F.A; “doers” x “thinkers”. We appreciate each and every visit. Feel free to leave us your comments. And thanks for coming!

I remember reading an article on Business Week in 2005 about the relatively new wave they called the “commoditization of knowledge”, a byproduct of the transition from the Knowledge Economy to the Creativity Economy. Renowned global companies like Proctor & Gamble and GE are mentioned in the article as the two main American companies to subscribe to the idea that analytical and systematic work, associated with the idea of knowledge, can be outsourced to countries like China, India, Russia and Hungary, where professional are highly trained and lower-paid. This trend brigs with itself the idea that it is essential to invest in creativity as the key competitive component in the american market.
That concept is very similar to what Radical Marketing proposed in contrast to Traditional Marketing. Conventional marketing has always been, at least until the mid-90s, a mostly rational discipline, with metric and mathematical tactics for validation, while Radical Marketing proposed a more intuitive, organic approach to users or potential consumers, a more ambitious approach when it comes to behavioral changes. Instead of concentrating in the bottom line, Radical Marketing was also concerned with more comprehensive social and sensorial experience to individuals it came in contact with.
The Business Week article also mentioned, for instance, the bold move made by Proctor & Gamble’s Design, Innovation and Strategy VP at the time, Claudia Kotchka, who let go several high executives, middle managers and scientists in order quadruple the company’s design team, hiring a multidisciplinary group of professionals from a wide range of industries. Kotchka stayed at P&G until 2008 and was responsible for creating a culture of Design Thinking, starting from the top. P&G transformed itself from a multibillionaire corporation into a completely innovation-centered organization.
In 2005, when I first read that article, I looked for opinions of online users and it was clear that the majority of readers saw in that kind of change implemented by Kotchka a high-risk move. Some even mentioned statistics that showed a 3% rate of success in that type of innovation, without citing specific sources. However, people who were already in the design field and were, back then, up-to-date with the industry’s literature, already knew about the article published by Harvard Business Review in 2004 – the short but very dense “MFA is the new MBA”. Professionals with a MFA background were becoming highly valued in a market that was already giving signs of how much MBA executives were becoming obsolete. That was in 2005, in a pre-Obama, pre-economic-stagnation world (which also showed its face in Brazil).
Five years later the discussion continues, with the newly publish book Rethinking the MBA. The book, also published by Harvard Business Press, discusses the legacy left by traditional MBA executives who’ve traditionally run the world’s biggest corporations. That legacy has gaps which go from lack of risk management, complex systems behavior to social responsibility leadership, not to mention a layer of ethics and the capacity to involve people emotionally inside and outside corporations – demands that have increasingly been fulfilled by Design professionals.
We currently see a demand for professionals with artistic abilities and a more human perspective of the market and of relationships between people – who can no longer be reduced to the condition of “consumers”. We are, before anything else, individuals with families, lifestyles, likes, needs, values and series of attributes that transcend our consuming habits. People who were once called “target audience” are now producers of content, co-designers of services, and hold a power that, in a very recent past, did not represent a big threat to big corporations.
Businesses are realizing that the only way to exist in that scenario is to transcend their products and services. The emotional appeal and excessive exploration of their brands’ social dimensions is no longer enough. It is vital that they DO something for someone, for a community, or that they evolve a specific industry. Offering technical quality and nice aesthetics hasn’t been enough for, let’s say… 5 years.
The image of the traditional, suit-wearing-executive has been increasingly substituted by the image of the creative professional, detached from corporate hierarchies and clichés. Someone who can navigate between a number of scenarios and who can be a catalyst for change. Those individuals are being hired for their complex profiles, which include not only good notions of finances and marketing but also of behavior, culture, lifestyle, technology and so many other areas that make them able to predict and be empathetic with the new demands, wants and needs of people.
Institutions like Stanford’s d.School, and even my alma mater, Herron School of Arts and Design, are know for been pioneers in preparing their student by a more systemic approach, stimulating capacities that go beyond form and aesthetics. Those students once graduated assume various roles – from strategists and brand managers, sense-makers to catalysts of social change, not necessary working as graphic designers – wich is still the most common path being followed by designers in Brazil.
Doers are increasingly being substituted by thinkers. Qualities like knowledge of business, critical thinking about human behavior and the capacity to work in multidisciplinary teams are being recognized as tools for brand positioning, reinventing business, developing products, designing services and more efficient processes. We have gone form form manipulators to agents of transformation.
Design has finally transcended its condition of subject and has become a verb.
Lugar de Design(er) é na rua
Uma das coisas mais bacanas de começar uma empresa tem sido a oportunidade de nos apresentarmos ao mercado e descobrir que existem várias pessoas e empresas abertas a pensar como nós pensamos aqui na Ologia. Temos conhecido vários profissionais do mercado de inovação e design mineiro, e um dos pontos que encontramos em comum é a idéa de “começar pelo começo”, ou seja, começar os projetos pelas pessoas e suas experiências.
Sempre que estamos com parceiros ou clientes, ou quando escrevemos aqui sobre a importância do trabalho multidisciplinar no desenho de um novo produto, serviço ou modelo de negócio não é que só achamos bonito falar assim. Praticamos isso a todo instante. E a questão da multidisciplinariedade não é só reunir uma equipe de várias especialidades. É também somar conhecimentos de outras disciplinas dentro do nosso processo, como a antropologia e a prática da etnografia (ou pesquisa social), e é sobre isso que gostaria de falar um pouco mais.
A etnografia é o estudo de um objeto ou situação pela vivência direta na realidade onde se insere. Sua aplicação no mundo dos negócios é cada vez maior e mais valorizada, pois aumenta exponencialmente a probabilidade de sucesso no desenvolvimento e lançamento de produtos, serviços, processos, campanhas, etc.
Essa prática não tem nada de nova, e pode-se encontrar várias referências por aí como esta. As contribuições da antropologia para o marketing e desenvolvimento de novos produtos ou serviços foram evidencidas por Charles Winnick em 1969, que ressaltava aspectos como os estudos de cultura e subculturas, linguagens não verbais, ritos de passagem, usos e sentidos de objetos de consumo, sensibilidades e tabús culturais e reforçava a importância destas ferramentas da antropologia no auxílio para a compreensão das práticas de consumo.
No nosso processo de trabalho ela se insere na fase de Divergência. É quando vamos a campo onde as coisas acontecem para observar as pessoas e suas relações com o que estamos estudando. É um trabalho incrivelmente rico, que permite ao pesquisador conhecer com mais profundidade o objeto de estudo e suas interrelações, os fatos e detalhes que nunca poderíamos imaginar se tivéssemos ficado dentro do nosso escritório trabalhando com suposições particulares, e que podem ser decisivos para o sucesso de um projeto.
Mas como é isso? Saio e faço o quê? Levo um questionário? Na verdade não existe nada mandatório do que usar e como fazer, mas podemos deixar aqui algumas dicas de como fazemos.
Antes de ganhar a rua passe um tempo pesquisando o que vai estudar, coloque num papel o cenário que você conseguiu ver, anote as interrogações que vierem à sua mente, e, principalmente, elenque os fatores que você acha (por enquanto) que são importantes serem obervados.
Documente tudo com o que puder lançar mão. Fotos, vídeos, áudio, anotações em qualquer pedaço de papel. Tudo isso vai ajudar a montar o quebra-cabeça.
No primeiro encontro busque pela pessoa de “autoridade” dentro do ambiente de estudo. Se for um supermercado, chame o Gerente. Se for numa obra, chame o Capataz. Se for numa comunidade, o prefeito ou líderes comunitários (identifique-os). Busque entender como tudo funciona, o macro, as interligações, os agentes externos que influenciam naquela realidade, as atividades diárias, os acontecimentos curiosos ou perigosos, as surpresas. Use esse momento para se aproximar dessa pessoa de forma que ela lhe proporcione entrada em outros agentes do processo.
Aproveite ao máximo a oportunidade de estar no local: os comportamentos que você vai observar só fazem sentido no contexto onde ocorrem. Não fique com pressa de coletar informações. É um trabalho de detetive, onde uma pista leva à outra, e que pode te levar a desvendar o caso.
Descreva os fatos e suas percepções de como eles realmente acontecem, como as pessoas se comportam, como se interagem, como falam, sem o fator de julgamento ou de prescrição de como aquela ação poderia ser mais eficiente ou de melhor experiência. As ideias vêm depois.
Tome cuidado ao sugerir hipóteses, tente ser o mais aberto possível na pergunta para não direcionar a visão e resposta da pessoa à sua sugestão. Por exemplo, quando quiser saber se outras coisas já foram tentadas em um processo é melhor usar “vocês já tentaram outras coisas” do que “vocês já fizeram do jeito X”.
Busque uma posição de isenção durante a exploração. Se insira no ambiente com roupas neutras, condizentes ao contexto, que não demonstrem nem autoridade nem posição subalterna. Busque empatia de quem está conversando, mas não seja “o seu melhor amigo”. Procure não interferir na realidade do que está sendo estudado, não “faça pelas pessoas”, o objeto de estudo é o outro. Você vai ter o momento de experimentar quando for gerar ideias.
Seja cara-de-pau, afinal, você vai perceber que ninguém vai chegar até você para contar o que quer saber. É preciso criar caminhos para se aproximar das pessoas para conseguir informações.
Pense lateralmente o tempo todo, pois algumas valiosíssimas informações podem estar com pessoas teoricamente fora do processo observado. Um exemplo: os vigias de um shopping center podem dar muitas informações sobre o comportamento das pessoas.
A etnografia é muito utilizada no marketing tradicional para validar ideias ou possibilidades de soluções, e dá ao cliente a possibilidade de prever um pouco do desdobramento do projeto.
No Design Thinking a etnografia (ou Observação) é usada não para validar, mas para recriar uma realidade atuando como uma grande catalisadora de inspirações. Nós fazemos a etapa de Observação com a contribuição de várias pessoas envolvidas no processo, aumentando ainda mais a abrangência da visão global da situação. Os fatos observados funcionam como trampolins no processo de geração de soluções, onde pulamos neles para desenvolver novas experiências com produtos, serviços, processos, marcas, etc. A possiblidade de prever se torna menor, mas a ruptura geralmente é maior.
Comece a colocar um pouco de etnografia no que você faz. Observe mais antes de ter ideias. Busque as experiências reais, aprenda com elas e você perceberá que seus projetos terão muito mais significância e robustez.
Brazil Design Week – O que inspira o design brasileiro
A revista abcDesign me convidou em 2009 para escrever um artigo que fez parte de um encarte especial sobre a semana Brazil Design Week, na edição de Dezembro de 2009. O evento foi realizado no mês de Novembro em São Paulo e foi recheada de Fóruns, Workshops, Seminários com profissionais brilhantes do design brasieliro, como Fred Gelli, Luciano Deos, Lincoln Seragini e Ana Couto. Lá foram descutidas questões como inovação, sustentabilidade e o design como estratégia de negócios.
O artigo está disponível para leitura abaixo e para download aqui.
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Alguma imagens que não entraram no artigo
Dois temas interessantes e que cito no artigo foram introduzidos por Fred Gelli no evento: o que ele costuma chamar de “Design com borogodó” e o conceito de Biomimmicry. Gostaria de dividir aqui algumas delas com vocês.
Design com borogodó: habilidade histórica do brasileiro de viabilizar soluções criativas em meio a constantes crises no âmbito econômico e social do país. Gelli mostrou exemplos como o do vendedor de pamonha, que utiliza a palha do milho como embalagem e um vendedor ambulante de bolas na praia, que usa uma rede de pescaria como forma de transportar o produto e também como “vitrine” que expande e encolhe de acordo com a necessidade. Esses são cases de design simples, bem sucedidos e de alto impacto sensorial que fazem parte do nosso dia-a-dia.



Biomimicry: idéias inspiradas nos elementos, sistemas e processos da natureza para solucionar, de forma sustentável, problemas complexos da nossa sociedade.

Para saber as novidades sobre o Brazil Design Week 2010, é só seguir no Twitter o Gian F Rocchiccioli (@gfranco_) ou @sigabdw.
BMW – Escultura Cinética
Recebemos essa dica através do Twitter, infelizmente não me lembro de quem foi. Mas sinta-se creditado!
A BMW colocou em seu museu uma máquina maravilhosa criada pela ART+COM. São várias bolinhas prateadas ligadas por micro-fios a pequenos motores individuais, todos controlados por um software que aciona esses motores para criar as formas que a engenharia fornece. Escultura Cinética.
O resultado vivo é o que você vê abaixo. Assista imaginando as possibilidades.







